Almejamos neste blog colectivo revelar Cabo Verde para além do horizonte da bolha chamada “all-inclusive resorts” e debater uma proposta de turismo apoiado nas características únicas ao caboverdiano, o nosso património cultural e a diversidade ecológica do arquipélago.

Missão: Descobrir as ilhas de Cabo Verde, a sua gente, musica, dança, tradições e vivenciar a morabeza criola.

sexta-feira, janeiro 27, 2012

Porto Grande terá terminal de Cruzeiros em 2014



O Governo Holandês promete financiar 35% do novo terminal de cruzeiros a fundo perdido e a Enapor busca parceiros estrangeiros para financiar os restantes 65% do orçamento de 30 milhões de Euros.

Sabendo do impacto global dessa infrastrutura no desenvolvimento do turismo de São Vicente e de toda a região norte não será esta também uma oportunidade de envolver privados nacionais e integrar uma estratégia conjunta para financiar, construir e explorar?

A perspectiva do terminal num momento em que se prevê um aumento do número de cruzeiros é animadora mas convém tirar o máximo partido das potencialidades inclusive a do desenvolvimento do turismo interno.

Fonte: Jornal da Noite da TCV de 24 Jan 2012

terça-feira, janeiro 24, 2012

Dicionário Histórico de Cabo Verde - 4a Ed.

"Although Cape Verde is an open society and there are no longer manysecrets about how it is run, and while large numbers of tourists now visitit quite happily, relatively little is known about it abroad. Facts and figures are lacking, including fairly basic ones. Its long and often tragic history is inadequately explored and explained. And its culture, which has attracted attention worldwide, could still benefit from deeper understanding. Since 1979, the Historical Dictionary of the Republic of Cape Verde and its successors have been filling this gap."

Mayra Andrade

Q&A with The Economist - Jan 23rd 2012, 13:28 by D.H. | NEW YORK

Duas frases marcantes da entrevista da artista:

"I don’t think I really chose music—instead, music chose me. From the moment I was born, I felt like I was surrounded by the sounds of the famous Cape Verdean singers like Bana, and Brazilian musicians such as Caetano and Milton Nascimiento. I was being seduced by this acoustic sound, and I just couldn’t ignore it."

"I really don’t like to expose my private life. But at the same time I really want to invite people to be a part of my life—to understand who I am through my voice. It’s almost like when you’ve become so close with someone that you understand them without them having to say a word. In this business, when you pour your soul into your music, you feel very exposed. It’s like you aren’t allowed to make mistakes—either they love you or hate you. This type of intimacy can be very frightening. We’ll see where my musical journey takes me, and see how willing people are to accept what I’m giving them. But I think it’s important that the world accepts African musicians for who they really are." 

read more at The Economist


segunda-feira, janeiro 23, 2012

Uma verdadeira ponte precisa-se!

Turismo enquanto força motora do desenvolvimento ou enquanto divisor de águas?

Quando se fala na sustentabilidade do turismo recordo-me da afirmação de um especialista de que a actividade, no seu todo, tem de beneficiar o visitante e o residente. O desiquilibrio nas condições de oferta exclusivas para beneficio do visitante compromete o potencial do destino. A busca de um honesto equilíbrio na oferta turistica que tenha em conta a realidade da economia local, os valores culturais e os recursos ambientais é fundamental para a integração do turismo com a economia real.

Em Cabo Verde, apesar do discurso político de "estarmos a caminhar para a sustentabilidade", vivemos a dicotomia e a coexistência em paralelo da economia do turismo e da economia local. Apesar do peso do turismo no PIB o modelo "all-inclusive" é o grande motor que movimenta cerca de 300.000 turistas anuais e a meta do governo é incrementar esses números e atingir os 500.000 turistas nos próximos 2 anos. Contudo para a economia local esses números pouca diferença fazem. O all-inclusive é também all-exclusive em relação à realidade local e nesse caminho não se perspectiva nenhuma forma de integração das peças que fazem movimentar a economia local com o turismo.

Neste cenário todo o ganho deste modelo de oferta turística está no "cash" que se gera a curto prazo descurando todo e qualquer malefício presente ou futuro. Enquanto isso o desemprego, a pobreza, as perturbações sociais, a criminalidade, a degradação ambiental e o agravamento dos velhos problemas relacionados à insularidade avolumam-se e agravam-se com a falta de uma estratégia integrada de desenvolvimento.

É fundamental reverter esse cenário. A actividade turística é de tal forma transversal que afecta toda a actividade económica: da agricultura aos serviços toda a sociedade pode se beneficiar de uma verdadeira integração dos recursos da oferta turística. Pelas especificidades e diversidade da procura turística este sector  pode funcionar como o gatilho para o desenvolvimento. Se verdadeiramente houver uma aposta numa visão de desenvolvimento que tenha o turismo como ancora poderemos atacar os problemas do país de forma estratégica e integrada com o esforço que cada profissional exerce na labuta diária. Cada sector de actividade, cada empresa, cada estudante, cada familia e cada caboverdiano esclarecidos quanto a um propósito comum. Para além da remuneração directa o recém graduado em hotelaria precisa compreender o sentido do atendimento e como o sua boa prestação reflecte-se no sucesso do destino Cabo Verde. Essa busca pela qualidade passa por um sentido de missão e alinhamento de esforços.

Mas para começar essa prática requer um discurso ético. O estado enquanto promotor tem de assumir o discurso da sustentabilidade na prática. Discursos e planos sobre a sustentabilidade não estão reflectidos na prática e nem estamos para aí a caminhar se as condições que se tem criado beneficiam primeiro e unicamente o modelo all-inclusive descurando-se as necessidades locais.

Para além das insuperáveis condições de atracção do investimento externo, quando o governo investe na promoção do destino Cabo Verde, disponibilizando orçamentos para publicidade e outros recursos de comunicação está a beneficiar directamente os grandes operadores que já tem montado uma cadeia de atracção de turistas dos mercados de massa para os grandes resorts no Sal e na Boavista. Nessas condições como o privado nacional pode competir? 

De outro modo o enfoque na sustantabilidade está baseado em standards internacionais definidos por entidades que certificam a qualidade de um destino. A certificação abre caminho para mercados turísticos muito especificos. Certamente mais exigentes quanto à qualidade do destino, mas mais diversificados, interessados na qualidade de vida da população local e com elevado poder de compra. É o turismo responsável conhecido também como o turismo ecológico. 

Em Cabo Verde, pelas especificidades das ilhas a actividade económica, qualquer que ela seja, tem de ser profundamente responsável. O modelo all-inclusive pode coexistir com outras formas mais sustentáveis de oferta turistica mas tem de assumir a responsabilidade social. A implantação dos mega resorts na Boavista e os planos para a instalação de mais hoteis tendo em vista unicamente os números é a evidência da política real que existente no país. Consequentemente os problemas do país continuam a avolumar-se, os esforços multiplicam-se mas soluções parecem andar a passo de tartaruga ou de acordo com a politica neo-liberal a aguardar que a "mão-invisível" funcione.

terça-feira, janeiro 10, 2012

Perdas e Ganhos numa viagem oceânica

Em toda a viagem existem descobertas, encontros e desencontros. Algumas experiëncias podem ser vividas como uma perda e outras nem tanto. Do que foi vivido enquanto perda, de minha parte, posso dizer tratar-se do sucessivo e natural desencantamento que viver evoca. Uma porçào de crenças, um tanto de esperança, parte da ilusäo e da fé perdem suas certezas! Algumas perdas näo poderào ser reconquistadas! Existem aquelas que se acreditavam perdidas e no entanto estavam là.

Nos abraços familiares, nos sorrisos amigos, na mùsica e na morabeza do povo caboverdiano, meu povo, a certeza de uma experiëncia inesquecìvel.

Viajando com crianças, como foi o meu caso, tive a oportunidade de desfrutar de um olhar àvido por aquilo que um dia também olhei com encantamento. Como nada é perfeito, mesmo com a falta de àgua ou de luz, certos momentos que na sua rotina sào penosos tornam-se verdadeiras aventuras, aonde o valor da mesma é a descoberta de que o que abunda em um paìs, escasseia em outro.

Entre as dunas das ilhas razas e a terra das ilhas rochosas escutei dizer que tudo havia mudado, que o paìs crescera e que a violéncia fizera com que seus habitantes se armassem, passando a viver em verdadeiras fortalezas de desconfiança.

Um pouco reconheço ter-me deixado contagiar pelo medo do outro, mas quando pude perdé-lo encontrei o que nào sabia existisse. Consegui escutar, deslumbrada, a història do pescador que sai ao oceano no calar da noite, sem nunca ter saìdo de sua aldeia; a luta brava da jovem màe que trabalha, estuda e cria seu filho com a força de seus braços na herculana tarefa da sobrevivëncia; aos meus ouvidos também näo passou despercebido, neste canto do mundo, o relato da senhorinha que prepara doce de calabaceira para o deleite dos afortunados, sem cobrar um tostäo; quem conseguiria esquecer o relato de uma criança que, com profunda tristeza, porém sem chorar nem pedir nada compartilha em poucas palavras a història de uma breve mas intensa vida de maus tratos? Tudo ao som da mùsica que embala marcando o compasso dessas ilhas.

Em cada uma dessas històrias pude, assim, descobrir uma força que näo tem nome e, se tentarmos nomeà-la, ela jà näo seria mais a mesma, pois näo està nas palavras e sim nas entrelinhas daquele que lë nào somente com os olhos.


Suzana Duarte Santos Mallard

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Exemplos a (não) seguir

Quando somos meninos, os nossos pais têm a obrigação de nos fazer ver e mostrar que há formas de vida e de vivência que não são exemplos a seguir por ninguém. Também devem nos ensinar quais os bons exemplos. Assim se faz uma boa educação parental, entre outros ensinamentos, para que em adultos sejamos pessoas bem formadas e de valores.
Esta ideia moralizadora vem a propósito do que Cabo Verde e as entidades que supervisionam o investimento externo, sobretudo na área do Turismo, podem aprender com os maus exemplos que proliferam por esse mundo fora no que toca a um desenvolvimento sustentável deste sector tão crucial como frágil para o futuro do nosso País. Há por esse mundo fora muitos exemplos, maus exemplos, e até bons exemplos de recuperação, após más políticas do passado.
O exemplo que nos pode ensinar vem de ilhas, bem mais avançadas nesta indústria do Turismo, aliás com várias décadas de experiência e bem perto de nós. O caso do arquipélago da Madeira, as duas ilhas habitadas (Madeira e Porto Santo) e os dois grupos de pequenas ilhas, denominadas Desertas e Selvagens.
Os bons exemplos que as autoridades madeirenses deram no passado já têm ‘barbas’ e estão bem cimentadas, nomeadamente na protecção dos frágeis ecossistemas das Ilhas Desertas e das Ilhas Selvagens. São raros os visitantes, há sempre vigilantes da natureza ali posicionados e a monitorização das espécies endémicas é constante. São autênticos santuários naturais, desde sempre alvo de cobiça, até hoje a salvo a muito custo.
Também nas duas ilhas habitadas trabalha-se muito na tentativa de deixar ao máximo algum território fora do alcance da civilização. Mas, como é óbvio, torna-se muito mais difícil, sobretudo porque o Turismo é a principal fonte de receita de um arquipélago que pouco mais tem a oferecer aos visitantes que a sua beleza natural.
A verdade é que para beneficiar do Turismo é preciso investir em infra-estruturas rodoviárias, portuárias e aeronáuticas, é preciso depois erigir unidades de turismo para receber condignamente os visitantes e se forem em grande número, mais unidades e cada vez maiores serão necessárias para os albergar. Aí é que reside o erro de muitos políticos e políticas (ou falta delas) de desenvolvimento sustentável.
Em muitos territórios, de facto, não faltam exemplos muito maus, dramáticos hoje, trágicos para o futuro. Constrói-se com expectativas demasiado altas, o dinheiro abunda quando é preciso construir em grande e, muitas vezes, fecha-se os olhos aos estudos de impacte ambiental.
Ora, olhando o exemplo da Madeira e do Porto Santo, em 2008, ano em que o Turismo ainda estava em crescendo de optimismo e os investimentos continuavam em grande, havia 331 empreendimentos, esperava-se alcançar as 32.869 camas (quase mais 3 mil que em 2007) e bem perto de alcançar o ‘limite’ previsto no Plano de Ordenamento Turístico (POT) de 35 mil camas em toda o arquipélago. Um sector que, na altura e ainda hoje, representava 20 a 40 por cento do Produto Interno Bruto da Madeira e dava trabalho directo a 15 por cento dos madeirenses, cerca de 6.618 funcionários.
Passaram-se três anos e tudo mudou, há obras paradas, há novos hotéis à espera de ‘bons ventos’ e outros que deveriam ser remodelados e estão fechados, as receitas baixam, o número de turistas também, gastos e tempo de estadia idem, as empresas que estão à volta deste sector passam um mau bocado e, pior, os trabalhadores começam a sentir na pele o problema, com salários em atraso e desemprego. E tudo isto porquê?
Porque planeou-se e executou-se, mas como se diz no ditado popular houve “mais olhos que barriga”. A Madeira tem uma imagem de “natureza, clima, beleza, cultura, segurança e hospitalidade”. Mesmo assim, os factores externos e internos motivam a um repensar e reformular dos objectivos.
Resta dizer que, estando Cabo Verde ainda com uma indústria do Turismo a crescer, com as massas cada vez mais interessadas, dever-se-á olhar para os outros e não “ir com muita sede ao pote”. Enquanto é tempo de aprender e não errar.

Francisco Cardoso

Pescador ou Legislador: Quem tem menos consciência ambiental?

O ambiente caboverdeano e sua biodiversidade é uma área transversal em todos os projectos de desenvolvimento de Cabo Verde mas, infelizmente, é também aquele mais mal conhecido, divulgado e fiscalizado. 
Mas há que ter consciência que existe duas realidades: uma do legislador que se encontra na cidade e outra bem diferente do comum cidadão das comunidades locais. Entretanto, quando se pensava que o indivíduo menos sensibilizado para as questões ambientais seria, por exemplo, o pescador eis que ele nos surpreende. Na sua simplicidade de homem do mar e, apesar das dificuldades para conseguir o sustento, luta pela conservação de outras espécies. 

Este pescador que tem dificuldades em conservar a sua própria espécie faz vigília nas praias para evitar o roubo de ovos e matança das tartarugas, decide parar de caçar cagarras nos ilhéus. Cria associações que recebem prémios internacionais pelo seu papel na conservação das tartarugas, como é o caso da Associação Comunitária Nova Experiência Marítima da Cruzinha (Santo Antão). E o que faz o legislador? 

Estabelece regimes jurídicos como o Decreto-lei N.º 29/2006 que dispensa a Avaliação do Impacto Ambiental (AIA) dos projectos susceptíveis de produzirem efeitos no ambiente e decreta que “em casos excepcionais e devidamente fundamentados, um projecto específico, público ou privado, pode, por despacho do membro do Governo responsável da área do Ambiente, ser dispensado AIA”

Subterfúgio?

Claro que não se espera que na construção de todo e qualquer pequeno empreendimento seja necessário uma AIA, mas até que ponto este subterfúgio está sendo usado para validar iniciativas que estão a mostrarem-se nocivos para Cabo Verde? É nesta questão que vários especialistas alertam que é necessário reforçar e melhorar o quadro jurídico num país com deficiente capacidade de fiscalização como o nosso. 

Mas é preciso coragem para planear e ordenar o território de forma compatível com os objectivos da conservação. É preciso coragem e visão para impedir a construção de um gigantesco hotel num determinado local quando se sabe que este provocará a destruição das dunas e a não re-alimentação das praias com areia e com isso comprometer-se o futuro do próprio turismo numa ilha ou país. 

Há certas acções em Cabo Verde que fazem lembrar o ditado “arranjar com as mãos e estragar com os pés”. Só assim se entende que façamos campanha para sensibilizar comunidades locais para protegerem as tartarugas e por outro lado constroem-se empreendimentos gigantescos na Boa Vista e Sal que provocam a diminuição da nidificação destas mesmas tartarugas. 

Só assim se entende que constrói-se a estrada asfaltada Baía-Calhau [São Vicente] que dá acesso a lindas praias e vulcões extintos e ao mesmo tempo a extracção de jorra nesses mesmos vulcões não é controlada e corre-se o risco de perder-se esse património ambiental e turístico. 


Sustentabilidade Social

Na área empresarial é preciso criar a responsabilidade social das empresas, seja de forma voluntária ou por contrato. Empresas de telecomunicações que noticiam um parque de contratos de telemóveis com números superiores a 300 mil assinaturas têm que, necessariamente, estar envolvidas na procura de soluções no momento de descartar esses telemóveis com suas baterias altamente poluentes. 

Responsabilidade social também para os comerciantes chineses que importam milhares de toneladas de materiais plásticos anualmente num país onde a eliminação do lixo é feita através de incêndios a céu aberto ou aterro, que são outras formas de agressão ao nosso meio ambiente. Idem aspa para os barcos chineses que estão na CABNAVE e que volta e meia derramam óleos poluentes na praia da Laginha, no Mindelo. Idem aspa para vários outros casos. 

Se, inicialmente, a administração dos recursos naturais era feita pelas comunidades locais, hoje conheceu uma grande mudança e agora estão sob a tutela de novos actores de gestão ambiental como corporações económicas, proprietários locais ou o Estado. A grande questão é até que ponto isto melhorou a qualidade de vida dessas localidades. 

Por isso que como cidadãos temos que estar conscientes do papel e desafios do ambiente para um desenvolvimento económico e social sustentável. Mas esta sustentabilidade só é conseguida trabalhando com as comunidades locais no presente sempre com visão nas gerações futuras e apostando na cidadania ambiental. É ver o ambiente como uma oportunidade de recurso que pode ser gerida pela comunidade local e não como um constrangimento. 

Uma das grandes apostas para melhorar este cenário é tornar o jornalista num sujeito actuante na resolução da problemática ambiental, incentivando para a criação de uma estratégia de comunicação que traga temas ambientais para as primeiras páginas dos noticiários. Porque, um jornalista com “paixão ambiental” estará na linha da frente para reportar, por exemplo, casos de apanha da areia e construção de edifícios na orla marítima, causadores de grandes impactos no ambiente e, consequentemente, na economia. 

Ao contrário do que possa parecer, esta não é uma crónica ambiental mas sim económica e política. Não é um discurso de conservador mas sim de consumidor que encara o “Capital Natural” como condição prévia de crescimento económico e social de Cabo Verde. 

OBS: texto publicado também no jornal A NAÇÃO Nº 227



Odair Varela é jornalista no jornal A NAÇÃO em Cabo Verde (na ilha de São Vicente) e também autor do blog: daivarela.blogspot.com 

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